OGM: um compasso de espera

terça-feira, janeiro 31, 2006

Clonagem

A observação de indivíduos da mesma espécie com a mesma informação genética é pouco comum nos animais complexos. No entanto, surgem, por vezes, os chamados gémeos verdadeiros mesmo na espécie humana. Podem resultar, por exemplo, da separação das duas células provenientes da mesma divisão mitótica do ovo, originando, cada uma delas, um novo indivíduo. Esses indivíduos são clones.
A clonagem em laboratório surgiu com base nestes conhecimentos, obtendo-se in vitro embriões com a mesma informação genética a partir de células provenientes do mesmo ovo. Os embriões obtidos completam o seu desenvolvimento no útero de mães portadoras.
Na sequência de investigações, ao longo do século XX, no sentido de compreender se o processo de diferenciação celular é acompanhado, ou não, por perda de genes, surgiram outros processos de clonagem de animais por transferência de núcleos.
As primeiras experiências foram efectuadas com anfíbios, como a rã. Nas últimas décadas do século XX foi conseguida a clonagem de mamíferos.
No processo de clonagem por transferência de núcleos, o núcleo de uma célula do animal que se pretende clonar é transferido para um óvulo de um outro animal da mesma espécie, ao qual se retirou previamente o núcleo.
A célula – ovo formada, desenvolve-se de acordo com a informação genética do núcleo implantado.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

ONU aprova transgénicos

Um relatório das Nações Unidas aponta os alimentos geneticamente modificados como uma das soluções para combater a fome em África. Em Portugal, os ambientalistas contestam e mesmo alguns dos que defendem os transgénicos acham que a ONU se precipitou.

O relatório sobre desenvolvimento humano, que vai ser publicado terça-feira pelas Nações Unidas, afirma que os transgénicos podem ser uma via muito eficaz para resolver o flagelo da fome no mundo.
Segundo o documento, os organismos geneticamente modificados (OGM) podem contribuir para reduzir os problemas de malnutrição que afectam 800 milhões de pessoas em todo o mundo.
É preciso «criar novas variedades de cereais mais resistentes e criar novas qualidades de sorgo, mandioca e milho e outros alimentos utilizados na África subsariana», adianta a mais importante publicação do programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD).
Quanto aos eventuais efeitos negativos que os transgénicos podem ter no meio ambiente e saúde humana, a ONU sublinha que é preciso apostar na investigação científica. Apesar desta recomendação, Mark Brown, administrador do PNUD, sublinha que «não há uma única morte cuja causa possa ser atribuída a alimentos geneticamente modificados».
Pedro Fevereiro, bastonário da Ordem dos Biólogos, é a favor dos transgénicos, mas entende que esta posição da ONU é precipitada.
«Fiquei um pouco admirado com estas declarações, que considero serem bombásticas, por não assentarem em critérios científicos», disse. O professor auxiliar da Faculdade de Ciências de Lisboa acrescentou ainda que «os transgénicos não são a solução para a fome no Mundo, mas a sua tecnologia pode ajudar a resolver este problema».
As vantagens dos transgénicos
Numa altura em que os ambientalistas reforçam o combate ao uso de OGM, o cientista sublinha as suas vantagens.
«Actualmente, 30% das culturas em todo o Mundo perdem-se devido a doenças, pestes e ervas daninhas», mas a biotecnologia pode aumentar significativamente a produtividade, defende o investigador.
Os cientistas estão também a desenvolver experiências que podem revolucionar o combate às doenças: num futuro não muito distante, poderá dispensar algumas idas ao médico para ser vacinado e substituí-las pelo consumo de alguns alimentos que lhe permitirão ficar imune à doença.
Mas há mais vantagens: já estão concluídos os estudos de uma nova variedade de arroz que está geneticamente modificado para produzir betacaroteno, que permitirá colmatar as deficiências em vitamina A, uma carência muito comum em crianças asiáticas. O arroz dourado, como é conhecida esta variedade, assumiu uma dimensão tão grande que «há institutos públicos que se dedicam quase exclusivamente ao estudo da aplicação deste tipo de arroz na Ásia», explicou o bastonário.
Os transgénicos são muito contestados pelas organizações ambientalistas, mas o biólogo chama a atenção para os estudos que estão a criar plantas mais tolerantes à secura, permitindo, deste modo, combater o processo de desertificação.
Actualmente, Portugal proíbe a produção de transgénicos, mas não o seu consumo, situação que para Pedro Fevereiro só pode ser apelidada de «inconsistente». Segundo o cientista, o Governo apenas optou por esta atitude proibicionista «porque dava jeito mostrar que o Executivo estava a defender o ambiente».
Os riscos dos transgénicos
O documento da ONU vem alimentar novamente a polémica em torno dos transgénicos: os cientistas a favor garantem que não existem riscos para a saúde e afirmam que desde 1995 que se comercializam produtos transgénicos sem prejuízo para os consumidores.
No entanto, Margarida Silva, da associação de defesa ambiental, Quercus, afirma que não há estudos que permitam garantir que os transgénicos não fazem mal à saúde.
«O facto de os transgénicos estarem distribuídos no mercado só significa que estão a fazer de todos nós cobaias. É da mais elementar precaução que os estudos médicos sejam feitos», alerta a cientista da Escola Superior de Biotecnologia do Porto. É por isso que a investigadora classifica a posição da ONU de «primária».
«Não há falta de comida no Mundo e fazer dos transgénicos a solução para a fome é uma posição extremamente primária. Trata-se sobretudo de um problema de distribuição e não de produção», defende Margarida Silva.
As organizações ambientais denunciam que os OGM podem aumentar a resistência dos insectos e a transmissão de genes transgénicos para outras plantas, situação que poderá ter efeitos imprevisíveis.
«Temos receio de estar a criar um monstro e quando os OGM estiverem muito difundidos pode ser tarde de mais», alerta o presidente da Quercus, José Paulo Martins.
Neste caso qual seria a solução? Aplicar o princípio da precaução. Os ambientalistas defendem que é necessário fazer mais investigações sobre os transgénicos antes de iniciar a sua comercialização em massa.
Segundo Margarida Silva, «estamos a comercializar um produto mais caro, que tem riscos e está dependente das multinacionais, porque envolve sementes patenteadas. No fundo, a grande vantagem está no lucro que as empresas vão ter ao vender estas sementes.
Fonte: visaoonline 9Jul. 2001

terça-feira, janeiro 24, 2006

A diversidade dos OGM

A maioria dos alimentos mais importantes do mundo é o grande alvo da engenharia genética. Muitas variedades já foram criadas em laboratório e outras estão em desenvolvimento.
O cultivo irrestrito e o marketing de certas variedades de tomate, soja, algodão, milho, e batata já foram permitidos nos EUA. O plantio comercial intensivo também é feito na Argentina, Canadá e China. Na Europa, a autorização para comercialização foi dada para fumo, soja, milho e chicória, mas apenas o milho é plantado em escala comercial (na França, Espanha e Alemanha, em pequena escala, pela primeira vez em 1998).
Molho de tomate transgénico já é vendido no Reino Unido e o milho e a soja transgênica já são importados dos EUA para serem introduzidos em alimentos processados e na alimentação animal. De fato, estima-se que aproximadamente 60% dos alimentos processados contenham algum derivado de soja transgênica e que 50% tenham ingredientes de milho transgénico. Porém, como a maioria destes produtos não estão rotulados, é impossível saber o quanto de alimentos transgénicos estão presentes na nossa mesa. No Canadá e nos EUA, não há qualquer tipo de rotulagem destes alimentos. Na Austrália e Japão a legislação ainda está a ser implementada. Em grande parte do mundo os governos nem sequer são notificados se o milho ou a soja que eles importam dos EUA são produtos de um cultivo transgénico ou não.
Além dos transgênicos já comercializados, algumas variedades aguardam autorização:
Salmão, truta e arroz, que contem um gene humano introduzido;
Batatas com um gene de galinha;
Pepino e tomates com genes de vírus e bactérias.
Até o momento, há uma grande oposição à contaminação genética dos alimentos. São consumidores, distribuidores e produtores de alimentos que exigem comida "de verdade", sem ingredientes transgénicos. Apesar da preocupação, a introdução descontrolada de transgénicos continua a crescer em níveis alarmantes. A menos que a oposição se sustente e ganhe força nos próximos anos, um aumento drástico destes alimentos pode ocorrer, e a opção de evitá-los poderá ficar cada vez mais difícil.

sábado, janeiro 21, 2006

José Bové na prisão

Agricultor no combate aos OGM´s
José Bové, 49 anos, o líder da Confederação Camponesa, voltou a ser preso devido à sua militância contra os Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
O advogado de Bové já anunciou que vai apresentar uma queixa por violação de domicílo, na medida em que a acção policial, que cercou a quinta do anarco-sindicalista, próximo de Millau, Sul de França, se assemelhou a uma «operação de comando». Apesar de Dominique Perben, ministro da Justiça, ter justificado a acção das autoridades pelo facto de José Bové «não ter vontade de colaborar com a justiça», a esquerda francesa já manifestou o seu desagrado considerando toda a operação como «chocante». O protesto já levou a que o ministro francês pedisse ao Presidente Jacques Chirac para que este concedesse ao arguido uma aministia por ocasião do 14 de Julho – dia da Tomada da Bastilha.
Nascido em 1953 em Bordéus, José Bové iniciou desde cedo a sua vida de contestatário. Em 1972 recusou-se a cumprir o serviço militar, alegando objecção de consciência, tendo-se instalado, dois anos mais tarde, no planalto de Larzac – hoje uma zona habitual de reunião dos movimentos de alterglobalização (globalização alternativa), de forma a impedir que esta se torne parte integrante de um campo militar.
Em 1987, Bové fundou a Confederação de Agricultores, tendo-se dedicado, a partir daí, a combater o «produtivismo agrícola sem regras» e a «lógica liberal» do processo de globalização. A sua mediatização surgiu quando atacou um restaurante McDonald´s em Millau, para protestar contra as sanções alfandegárias impostas pelas autoridades americanas a produtos agrícolas europeus.
Tendo sido já convidado pelo partido dos Verdes para que participasse como candidato nas eleições, José Bové respondeu sempre que a sua luta é sindicalista e nunca política.

Fonte: VISAOONLINE 23 Jun. 2003

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Riscos para a saúde

Os cientistas já introduziram genes de bactérias, escorpião e água-viva em alimentos cultiváveis. Os testes de segurança sobre estes novos alimentos contendo genes estrangeiros – e as regulamentações para sua introdução – até agora têm sido extremamente inadequados.
Os riscos são muito reais. Vejamos alguns exemplos:
-Os alimentos oriundos de cultivos transgénicos poderiam prejudicar seriamente o tratamento de algumas doenças de homens e animais. Isto ocorre porque muitos cultivos possuem genes de resistência antibiótica. Se o gene resistente atingir uma bactéria nociva, pode conferir-lhe imunidade ao antibiótico, aumentando a lista, já alarmante, de problemas médicos envolvendo doenças ligadas a bactérias imunes.
( Briefing "Resistência antibiótica em plantas transgénicas")
Os alimentos transgênicos poderiam aumentar as alergias. Muitas pessoas são alérgicas a determinados alimentos em virtude das proteínas que elas produzem. Há evidências de que os cultivos transgênicos podem proporcionar um potencial aumento de alergias em relação a cultivos convencionais
-O laboratório de York, no Reino Unido, constatou que as alergias à soja aumentaram 50% naquele país, depois da comercialização da soja transgénica.
Apesar destes riscos, alimentos transgénicos já estão a venda. No entanto, como os cultivos transgénicos não são segregados dos tradicionais, e como a regulação de rotulagem é inadequada, os consumidores estão sendo impedidos de exercer o seu direito de escolha, uma vez que não há como identifica-los.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Tornando a Engenharia Genética possível

Para transferir informação genética de uma célula para a outra, uma enzima faz uma abertura em um plasmídeo bacteriano. Os pesquisadores copiam ou colam um segmento retirado de uma fita de ADN doador no plasmídeo. Como as extremidades livres, tanto do plasmídeo como do segmento gênico doador, são quimicamente "adesivas", elas podem se ligar umas ás outras – recombinar – para formar um plasmídeo contendo o novo gene. Essa técnica é chamada de clonagem de genes ou tecnologia do ADN Recombinante (rDNA) – termos utilizados concomitantemente com Engenharia Genética. O novo plasmídeo agora carrega instruções genéticas, permitindo que, quando inserido numa bactéria, esta produza uma proteína que leva a expressão da nova característica.




terça-feira, janeiro 17, 2006

Quais são os impactos da engenharia genética?

Enquanto a engenharia genética continua a criar novas formas de vida que se desenvolveriam naturalmente, esta recusa-se a reconhecer os seus riscos potenciais.
O aumento da preocupação com a ética e os riscos envolvendo a engenharia genética são muitos. Primeiro porque os genes são transferidos entre espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em plantas e até de humanos em animais. Segundo porque a engenharia genética não respeita as fronteiras da natureza – fronteiras que existem para proteger a singularidade de cada espécie e assegurar a integridade genética das futuras gerações.
Quanto mais os genes são isolados de suas fontes naturais, maior é o controle dos cientistas sobre a vida. Eles podem criar forma de vida própria (animais, plantas, árvores e alimentos), que jamais ocorreriam naturalmente. Na verdade, a industria está a tentar dirigir o curso da evolução por si mesma.

domingo, janeiro 15, 2006

O que é a engenharia genética?

A engenharia genética permite que cientistas usem os organismos vivos como matéria-prima para mudar as formas de vida já existentes e criar novas.
A engenharia genética utiliza enzimas para quebrar a cadeia e ADN em determinados lugares, inserindo segmentos de outros organismos e costurando a sequência novamente. Os cientistas podem "cortar e colar" genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua biologia natural a fim de obter características específicas. Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser afectados.