OGM: um compasso de espera

sexta-feira, março 24, 2006

"Cocktail" de anti-retrovirais protegeu macacos contra o vírus HIV

Uma injecção diária com um "cocktail" de dois anti-retrovirais usados habitualmente para tratar seropositivos protegeu macacos rhesus contra uma infecção pelo vírus da Sida, indicaram investigadores norte-americanos.
Embora muito preliminares, os resultados de uma investigação dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA, apontam para a possibilidade destes dois medicamentos serem usados como tratamento preventivo de infecções contraídas por contactos sexuais.
A experiência foi realizada com 12 macacos rhesus, seis dos quais foram tratados com tenofovir (TDF) e emtricitabina (FTC). Esta combinação deu 100 % de protecção contra o vírus da Sida, que neste caso era uma combinação das versões humanas e da do macaco, afirmou Walid Heneine, dos CDC, numa comunicação ao 13º Congresso sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas.
Todos estes macacos foram expostos rectalmente ao vírus da sida. A experiência foi repetida diariamente, durante 14 dias, com os dois grupos de símios, precisou Walid, um dos co-autores do estudo. Os investigadores prosseguiram as injecções subcutâneas dos dois anti-retrovirais (TDF/FTC) aos macacos tratados durante um mês depois do último contacto rectal com o vírus da sida. Enquanto que os seis macacos tratados com o cocktail de anti-retrovirais não contraíram o vírus, todos os outros animais do grupo testemunha foram infectados.

quinta-feira, março 23, 2006

Um só gene controla comportamento sexual

Investigadores da Academia das Ciências da Áustria descobriram que um único gene controla todo o complexo modelo do comportamento e orientação sexuais. O estudo incidiu sobre um determinado tipo de mosquito cujo genoma é semelhante ao do ser humano.

Uma equipa de investigadores austríacos descobriu que o comportamento e orientação sexuais residem em apenas um gene, indica um estudo publicado pela revista norte-americana «Cell».
A equipa foi liderada por Barry Dickson, perito em genética das moscas de origem australiana mas que trabalha no Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena, e Ebru Demir, autora de uma tese sobre esta matéria.
O trabalho de investigação incidiu apenas no mosquito "drosophila melanogaster", mas os cientistas julgam ter encontrado a chave de novos conhecimentos essenciais do comportamento sexual, incluindo o dos seres humanos. O mosquito em causa é um dos animais modelo da biologia e tem um genoma muito semelhante ao do ser humano.
Através de manipulações genéticas, os cientistas conseguiram provocar mudanças no comportamento sexual dos mosquitos. Os machos, que normalmente "perseguem" as fêmeas, passaram a "cortejar" outros machos, e as fêmeas, abandonando o seu comportamento passivo habitual, começaram a comportar-se como os machos.
Perante estes resultados, os investigadores acreditam que o gene solitário da orientação sexual existe em duas versões: a feminina e a masculina. A mudança de versão cria mudanças radicais de comportamento sexual, independentemente do sexo, que por sua vez geram uma reorientação total na distribuição dos papéis sociais.
Os cientistas estão convencidos de que o mesmo se pode passar com os seres humanos, e envolvendo outros tipos de comportamento, como a agressividade, a amizade e a inimizade humanas.

quarta-feira, março 22, 2006

Descoberto gene que pode controlar início da vida

Um grupo de cientistas britânicos descobriu um gene que poderá controlar um dos primeiros momentos da criação da vida humana, quando o espermatozóide fecunda o óvulo, noticia esta sexta-feira o diário britânico «The Times».
O gene, a que os investigadores deram o nome de "HIRA", permite que o ADN dos dois progenitores se una depois da fecundação.Os primeiros quinze minutos são determinantes, por ser nesse período que o gene se activa e propicia a divisão do óvulo fecundado.Os cientistas, da Universidade de Bath (sul de Inglaterra), descobriram que a ausência ou a mutação do "HIRA" no momento da fecundação impede o processo de formação do embrião, mesmo depois de ter sido fecundado por esperma em bom estado.Embora até agora este gene só tenha sido estudado em moscas da fruta, os cientistas pensam que este processo genético é importante em todas as espécies que se reproduzem sexualmente, incluindo a humana.Tim Karr, o coordenador do estudo, afirmou que «o ADN do espermatozóide deve combinar-se com o ADN materno, no primeiro acto da fertilização genética», o que mostra a importância do gene "HIRA".

segunda-feira, março 20, 2006

Embriões humanos clonados pela primeira vez

Dois grupos de investigadores conseguiram clonar, pela primeira vez, embriões humanos. O anúncio foi feito esta sexta-feira, no Reino Unido. Os avanços anunciados podem ser benéficos para a substituição de órgãos sem se correr o risco de rejeição.
Dois grupos de investigadores, um britânico e outro sul-coreano, conseguiram clonar pela primeira vez embriões humanos.
A equipa britânica, do "Centre for Life" da Universidade de Newcastle (noroeste de Inglaterra) criou três embriões clonados, os primeiros na Europa. O grupo de cientistas conseguiu produzir com êxito um blastocito (um diminuto embrião nas primeiras etapas de formação) clonado de uma célula humana através de transferência nuclear.
Já a equipa coreana, cujo trabalho está numa fase mais avançada do que a equipa britânica, conseguiu criar mais de 60 embriões clonados, a partir dos quais puderam fabricar células estaminais compatíveis com o ADN de uma pessoa.
Para estes cientistas, a investigação abre novas perspectivas no tratamento de doenças como a diabetes e a doença de Alzheimer, ou substituir órgãos defeituosos sem correr o risco da rejeição de transplantes.
Trata-se de «um passo em frente gigantesco para a ciência, até ao dia em que algumas das doenças mais devastadores poderão ser tratadas graças às células estaminais terapêuticas», declarou o prof. Woo Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul, que chefiou a equipa sul-coreana.
Os progressos só poderão, no entanto, ser aplicados em pacientes daqui a vários anos.

sábado, março 18, 2006

Especialistas em clonagem desenvolvem experiência secreta

Investigadores peritos em clonagem estão reunidos na Coreia do Sul para levar a cabo uma experiência secreta que pode dar origem a um «acontecimento marcante» para o tratamento de doenças incuráveis.
Um grupo de especialistas em clonagem está reunido, a partir de hoje, na Coreia do Sul, onde pretende desenvolver uma experiência secreta que pode tornar-se um «acontecimento marcante» para o tratamento de uma série de doenças incuráveis.O encontro, cujos propósitos são ainda algo nebulosos, durará uma semana e conta com a presença do professor Ian Wilmut, do Instituto Roslin da Escócia – investigador que ficou famoso pela criação da ovelha Dolly em 1996 – do norte-americano Gerald Schatten, da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e do cientista sul-coreano Hwang Woo-Suk, professor da Universidade Nacional de Seul.Os cientistas não especificaram qual a experiência que pretendem concretizar, embora Schatten tenha revelado à imprensa que se trata de um «acontecimento marcante» que pode juntar os avanços alcançados na clonagem com a investigação sobre células estaminais. O objectivo é desenvolver tratamentos para uma série de doenças incuráveis.O convite partiu de Hwang que, juntamente com Schatten, publicou em Maio um estudo em que se anunciava o fabrico de células estaminais «terapêuticas».Estas células, extraídas de embriões humanos clonados, têm os mesmos genes que os pacientes, o que elimina o problema de rejeição durante os transplantes.Na mesma altura, a equipa liderada por Hwang conseguiu também avançar na área dos transplantes de orgãos entre espécies, o que veio dar mais força à possibilidade de transplantar orgãos e células de animais em humanos, que substituam os tecidos afectados por doenças como o Parkinson ou a diabetes.

sexta-feira, março 17, 2006

Cientistas querem clonar embriões com óvulos de coelhos e células humanas

Um grupo de cientistas do King's College, em Londres, quer avançar com a clonagem de embriões a partir de óvulos de coelhos e ADN humano. A ideia não é criar uma nova espécie de seres vivos mas sim estudar melhor a utilização de células estaminais no tratamento de doenças genéticas.
Esses embriões só seriam utilizados no quadro da investigação sobre o desenvolvimento das células estaminais e as doenças genéticas, explicou Chris Shaw, responsável por esta equipa de cientistas.No Reino Unido, no quadro da legislação actual, não poderiam desenvolver-se para além do 14º dia e não poderiam, em caso algum, ser implantados no útero de uma mulher.«A fertilidade dos coelhos é lendária e poderá ser possível usar células humanas e transferir o núcleo dessas células para óvulos de coelho», explicou o investigador.«Legalmente, a situação não é clara, mas é uma coisa que gostaríamos de discutir com a HFEA (Autoridade para a Fertilidade Humana e a Embriologia).O professor Shaw e os seus colegas do King's College têm uma licença comum com a equipa do professor Ian Wilmut - pai da ovelha Dolly -, do Roslin Institute de Edimburgo (Escócia), para clonar embriões humanos com fins terapêuticos.Todavia a grande dificuldade dos investigadores britânicos é a falta de óvulos humanos disponíveis para estas investigações. Actualmente, só podem recorrer aos óvulos abandonados na sequência de procedimentos de fertilização in vitro.Segundo o professor Shaw, já foram realizadas experiências de mistura de ADN humano com óvulos de coelhos na China, pela equipa do professor Sheng Huizhen, da Universidade de Medicina número dois de Xangai.Essa equipa diz ter já criado mais de 100 embriões que teriam sobrevivido até à fase de blastocitos, o que corresponde ao estádio de desenvolvimento embrionário precoce (entre cinco e sete dias no homem).

quinta-feira, março 16, 2006

Snuppy é o primeiro cão clonado

Snuppy teria uma vida de cão normal, não fosse o pormenor de ter sido produto da ciência. O cachorro nasceu há 16 semanas e é a mais recente coqueluche dos seus donos - um grupo de cientistas sul-coreanos.
A vida de cão pode ser difícil, mas a do pequeno cachorro Snuppy será com toda a certeza diferente. A mais recente 'estrela' do reino animal, mostrada ao mundo após o seu nascimento há 16 semanas, é a prova de que a primeira experiência de clonagem de um cão foi, até agora, bem sucedida.De acordo com o artigo publicado na revista científica "Nature", a clonagem do primeiro cachorro foi realizada por um grupo de cientistas sul-coreanos da Universidade Nacional de Seul, com a ajuda de especialistas americanos. Segundo os peritos, este pode ser mais um avanço no tratamento de doenças que afectam os humanos, como a diabetes e a demência.Hwang Woo-suk, chefe de equipa de cientistas que clonaram Snuppy, já tinha surpreendido a comunidade científica quando, em Fevereiro deste ano, reclamou ter isolado as primeiras linhas de células embrionárias, implantando-as no ADN de alguns dos seus pacientes.Agora, Woo-suk volta a chamar a atenção com o artigo publicado na "Nature" revelando ter tido sucesso na clonagem de um galgo afegão, a partir do material genético retirado da pele da orelha de um cão da mesma raça, com três anos de idade. O óvulo foi estimulado acabando por se dividir, sendo depois implantado no útero de uma cadela labrador. A gestação durou dois meses e o pequeno Snuppy nasceu depois de goradas as experiências que envolveram o implante de 1.095 embriões em 123 cadelas. Estas experiências conseguiram fazer com que três cadelas engravidassem. Porém, uma gravidez foi mal sucedida terminando em aborto, e as outras duas resultaram na morte dos cachorros devido a problemas respiratórios.Antes do Snuppy, outros animais foram já clonados - a mediática ovelha Dolly, e ainda vacas, gansos, porcos, coelhos, gatos, mulas, cavalos, ratos e bois selvagens da Índia. Eis-nos pois chegados ao melhor amigo do Homem...

terça-feira, março 14, 2006

O primeiro bebé proveta

Processo renovou esperança de milhares de pais inférteis
Louise Brown, nasceu em Bristol, na Inglaterra e foi a primeira pessoa a ser concebida, recorrendo à fertilização in vitro, que é como quem diz o primeiro bebé-proveta. O seu nascimento abriu uma nova era no tratamento da infertilidade, deixando milhares de mães e pais com renovada esperança. O método da fertilização in vitro foi utilizado em 1978 pela equipa chefiada por Robert Edwards, na Bourn Hall Clinic, em Cambridge. Actualmente este método continua a ser utilizado, em situações simples como nos casos do bloqueamento das trompas de Falópio. Alberto Barros, um prestigiado especialista português em reprodução medicamente assistida, refere que este processo, na altura, foi revolucionário, sendo, pouco tempo antes, assunto do domínio da ficção. Segundo o especialista em reprodução medicamente assistida, Portugal está, relativamente a este assunto, dotado de bons especialistas, que dominam as técnicas, das mais básicas ás mais avançadas. Alberto Barros e a sua equipa foi mesmo responsável pela introdução no país da microinjecção intracitoplasmática, esta metodologia permitiu alargar, de maneira significativa as possibilidades de sucesso numa gravidez, essencialmente nos casos em que o número de espermatozóides é muito reduzido ou em que a mobilidade dos mesmos é nula, fazendo com que não tenham a capacidade de penetrar no óvulo (esta equipa portuense foi a primeira a publicar, internacionalmente, um caso de sucesso, relativamente à situação descrita em último; foi também esta equipa, a primeira a obter êxito numa situação de um homem, com incapacidade de ejacular, em consequência de uma lesão medular que o tornou paraplégico). O especialista continua afirmando que a fertilização in vitro é, actualmente, completamente diferente de há 15 anos. Contudo adianta que ainda há passos que estão por dar. No que concerne ás realidades sociais que se estão a operar a sua opinião diverge. Relativamente às barrigas de aluguer, sustenta que a lei não deve impedir este recurso, no entanto a ideia de “alugar um útero” perturba-o. Consegue, no entanto aceitar esta situação como um acto de amor, por exemplo entre duas irmãs ou entre uma mãe e uma filha. Mas excepcionalmente. Outra questão polémica prende-se com a auto inseminação, a que recorrem por exemplo as lésbicas que pretendem ser mães e recusam contacto com parceiro masculino e vêem também as portas das clínicas fecharem-se. Assim, procuram um amigo que aceite dar esperma, e com uma seringa e um tubo de borracha e bastante persistência conseguem engravidar. Alberto Barros refere que não tem direito a fazer juízos de valor, mas que não aceita fazer inseminação com mães sozinhas.

sexta-feira, março 10, 2006

É seguro consumir alimentos geneticamente modificados?

A UE irá assegurar a inexistência na Europa de alimentos geneticamente modificados que representem um risco para o consumidor.
Actualmente, os alimentos geneticamente modificados têm de ser aprovados pela UE para poderem ser comercializados na Europa.
Para ser aprovado, um alimento geneticamente modificado deverá ser sujeito à Avaliação de Risco Alimentar. Entre outros, são considerados os seguintes pontos:
-Existe diferença entre os alimentos geneticamente modificados e os seus equivalentes não modificados;
-Entre outras, são efectuadas comparações em termos de gordura, proteínas, vitaminas e toxinas.
As novas substâncias ou matérias dos alimentos geneticamente modificados podem afectar os consumidores? Os valores nutricionais estão alterados? Os alimentos poderão tornar-se tóxicos ou causar reacções alérgicas?
Em alguns casos, são efectuadas experiências de alimentação de cobaias animais com estes produtos.
É difícil saber o que o futuro reserva ou prever as possíveis consequências a longo prazo da ingestão de produtos geneticamente modificados.

segunda-feira, março 06, 2006

Nova geração de vegetais

Por mais forte que seja a desconfiança em relação aos produtos geneticamente modificados, não há mais como fugir deles. O primeiro passo foi a criação de soja resistente a herbicidas, tomates longa-vida e milho imune a insetos.
Está a ser preparada uma nova geração de vegetais alterados: grãos mais nutritivos, sementes estéreis que não se reproduzem no segundo plantio, alimentos recheados com remédios. As invenções saltam dos laboratórios para as prateleiras dos supermercados com muito mais rapidez do que a perplexidade humana é capaz de digeri-las. Os cientistas extraem genes responsáveis por características desejáveis de animais e vegetais e os incorporam aos alimentos. A biotecnologia rompe a barreira entre as espécies e provoca discussões ambientais, éticas e religiosas. Enquanto uma parte da população ignora o assunto e outra reage com medo, os produtores argumentam que só as alterações genéticas garantirão comida suficiente para alimentar os 10 bilhões de pessoas que habitarão o planeta nos próximos anos.

quinta-feira, março 02, 2006

DNA no morango

Os morangos que consumimos são plantas da espécie Fragaria ananassa. Estas plantas são Rosáceas, ou seja, são da mesma família das rosas que enfeitam muitos jardins. Elas reproduzem-se principalmente por meio do estolão, que é um ramo que cresce paralelo ao chão, gerando brotos de novas plantas. As variedades de morangos que consumimos hoje são resultado de cruzamentos de espécies diferentes que ocorriam, naturalmente na Europa (França e Rússia) e nas Américas (Chile e Estados Unidos).Uma das razões de se trabalhar com morangos é que eles prestam-se muito bem à extração de DNA, porque são muito macios e fáceis de homogeneizar. Morangos maduros também produzem pectinases e celulases, que são enzimas que degradam a pectina e a celulose (respectivamente), presentes nas paredes celulares das células vegetais. Além disso, os morangos possuem muito DNA: eles possuem oito cópias de cada conjunto de cromossomos (são octoplóides).