OGM: um compasso de espera

terça-feira, março 14, 2006

O primeiro bebé proveta

Processo renovou esperança de milhares de pais inférteis
Louise Brown, nasceu em Bristol, na Inglaterra e foi a primeira pessoa a ser concebida, recorrendo à fertilização in vitro, que é como quem diz o primeiro bebé-proveta. O seu nascimento abriu uma nova era no tratamento da infertilidade, deixando milhares de mães e pais com renovada esperança. O método da fertilização in vitro foi utilizado em 1978 pela equipa chefiada por Robert Edwards, na Bourn Hall Clinic, em Cambridge. Actualmente este método continua a ser utilizado, em situações simples como nos casos do bloqueamento das trompas de Falópio. Alberto Barros, um prestigiado especialista português em reprodução medicamente assistida, refere que este processo, na altura, foi revolucionário, sendo, pouco tempo antes, assunto do domínio da ficção. Segundo o especialista em reprodução medicamente assistida, Portugal está, relativamente a este assunto, dotado de bons especialistas, que dominam as técnicas, das mais básicas ás mais avançadas. Alberto Barros e a sua equipa foi mesmo responsável pela introdução no país da microinjecção intracitoplasmática, esta metodologia permitiu alargar, de maneira significativa as possibilidades de sucesso numa gravidez, essencialmente nos casos em que o número de espermatozóides é muito reduzido ou em que a mobilidade dos mesmos é nula, fazendo com que não tenham a capacidade de penetrar no óvulo (esta equipa portuense foi a primeira a publicar, internacionalmente, um caso de sucesso, relativamente à situação descrita em último; foi também esta equipa, a primeira a obter êxito numa situação de um homem, com incapacidade de ejacular, em consequência de uma lesão medular que o tornou paraplégico). O especialista continua afirmando que a fertilização in vitro é, actualmente, completamente diferente de há 15 anos. Contudo adianta que ainda há passos que estão por dar. No que concerne ás realidades sociais que se estão a operar a sua opinião diverge. Relativamente às barrigas de aluguer, sustenta que a lei não deve impedir este recurso, no entanto a ideia de “alugar um útero” perturba-o. Consegue, no entanto aceitar esta situação como um acto de amor, por exemplo entre duas irmãs ou entre uma mãe e uma filha. Mas excepcionalmente. Outra questão polémica prende-se com a auto inseminação, a que recorrem por exemplo as lésbicas que pretendem ser mães e recusam contacto com parceiro masculino e vêem também as portas das clínicas fecharem-se. Assim, procuram um amigo que aceite dar esperma, e com uma seringa e um tubo de borracha e bastante persistência conseguem engravidar. Alberto Barros refere que não tem direito a fazer juízos de valor, mas que não aceita fazer inseminação com mães sozinhas.